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REFLEXÕES SOBRE A ARTE DE ATUAR

April 11th, 2011 by COELHO DE MORAES
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COELHO DE MORAES

A experiência com artistas / atrizes / atores indica que pouco adianta adaptar-se de modo submisso ao mundo socialmente construído por terceiros adultos (quando aportamos no mundo ele já está pronto e quando tomamos ciência de que o estamos formando, – se é que chegamos a tomar esta ciência, – já é tarde. Ou desfrutamos ou nos frustramos com o mundo.  O desfrute de viver é pessoal e a observação de quem nem todos desfrutam tem que ser óbvia.  Dessa forma algumas pessoas forçam a aparição de nova realidade via esquizofrenia ou fazendo arte.

O brincar criativo (ludus)  é um modo de se enfrentar a realidade, de  valorizar a alegria de estar vivo mesmo frente a mundo estranho. Frente ao cansaço da sujeição, o brincar com a realidade se apresenta como a possibilidade de criar, de colocar o tom pessoal na experiência, de rearranjar campos. O brincar com a realidade é construir novas realidades, ou, no mínimo, executar novas leituras sobre a realidade media.  Não apenas desmontar a pretensão narcísica, mas impregnar a realidade com o desejo. A submissão poderá nos transformar em normopáticos – as pessoas do quotidiano que acietam as coisas como que naturais – normopáticos marcados por defesas frente às próprias possibilidades, não ousam em pensamentos , nem em palavras e muito menos obras.  Fogem pela vida do medo que visa a  minimização dos riscos que se corre na realidade. Realidade ornada de acasos, e, eivada de riscos improváveis. A realidade não será só tema de sujeição, mas, de criação.

A atriz e o ator são os que se mostram munidos de segurança;  tão firme segurança que impossibilita o acolhimento radical da loucura. Domina-se a nova realidade sem ser invadido por ela. Não sendo assim  não se é atriz ou ator, mas se é louco. Deve-se se abster do autoritarismo e da doutrinação e permitir a fruição, mesmo que aparentemente,  desorganizada da obra que se quer representar ou viver no momento, ou seja, a peça.  O ator e equipe se entregam ao que está acontecendo naquele momento e naquele momento o que está acontecendo é vida e realidade, com ou sem platéia.  A obra que se interpreta – ou que se vive no momento –  é experiência para o ator e para a direção/equipe. Se não for possível experimentar este estado de relaxamento, esta condição de aprendizado ativamente passiva, ativamente expectante, de fato não há aprendizado algum, nem interpretação de nada, nem de vivência de coisa nenhuma.

A atriz/ator, freqüentemente em silêncio, o artista não deve oferecer nem força, nem interpretação alguma, nem forçar poses ou gestos, mas viver o momento daquilo que se quer suposto  representar. Não fazer de caso pensado é ser natural e se quer assim no palco.

A Interpretação será aquilo que a platéia captar, de acordo com seus valores e conteúdos próprios, trazendo para si o valor que souber captar. Sempre dependeremos da inteligência da platéia. Não há como prever reações, a não ser que a platéia seja previsível, portanto, tola. A recompensa por esta retenção de interpretação é o fato de que o ator faz possível interpretação que se pensara da obra, reciclada, então,  pela platéia. Neste caso, a direção/equipe deve trabalhar pela não-ação e pela espera, evitar qualquer atropelamento do ritmo da atriz/ator. O processo não é apenas ativo, não acontece apenas agindo. A ação, aliás, é marca da vida contemporânea – marca não rara ensandecida – e lembrar que ação é drama. Onde houver movimento há drama. Onde houver vida há drama; vida não no sentido ZOE, mas no sentido de pulsação.

O aprendizado vem também com o silenciar, – que não significa parar, –  para ouvir/ouvir-se, deixando passar, deixando estar (let it be), deixando fluir,  permitindo que atriz/ator se desarranjem, se desorganizem, para dos pedaços reerguerem a nave, o casebre, o palácio.  A personagem verdadeira – não uma específica ou certa personagem, mas, a que surgirá dos véus, quase que por si – se constrói aí onde não é tão necessária a defesa. É apenas em estado não integrado que o criativo pode aparecer, emergir. Onde houver densidade o movimento é pífio. Onde houver fluidez pode haver vida.

Ensaios são espaços de desfrute, espaço lúdico, prazeroso; quem faz teatro deve ir aos ensaio para sentir gozos.  Espaço que será partilhado por diretor/equipe/atriz/ator. espaço que invade o mundo interno de todos sem que se tenha consciência plena do que está ocorrendo. Portanto a falta de pudor é condição essencial. Quem tem vergonha ou preconceito deve cair fora desse recinto. Não há necessidade de dizer: “isso é assim”, pois pode não ser. Este espaço é terapêutico, no sentido em que multiplica as possibilidades de vida (drama) de todos,  porque o diretor/equipe não são objeto externo a atriz/ator – o que traria pouco impacto sobre estes -, tampouco são objetos de seu espaço interno – o que seria apenas a experiência com o mesmo. Um olhar em volta do umbigo.

Brincar e criar e atuar e criar a nova realidade, –  mesmo que momentânea realidade que dure hora e meia, – , são, sobretudo, um modo de o diretor/equipe se posicionar diante da atriz/ator, esperando que estes  mesmos possas brincar e criar com e através de seus conteúdos particulares, aprender com estes conteúdos, e, a partir deste conteúdo. Neste caso, não haverá recusa da condição prática humana, do empirismo humano, recusa marcada pelo comportamento defensivo. Diretor/equipe aceitam o conteúdo da atriz/ator, já que  escolheram a estes para o trabalho, aceitam o caos, e esperam, pacientes, o brincar criativo. Não se busca coerência onde não existe coerência, nada se  organiza precipitadamente, nada se organiza do nada. Parte-se de bases ou de proposição de bases. A vivência desprotegida da obra que se quer interpretar ou vivenciar, partindo da obra sem preconceitos ou julgamentos, obra pensada próxima ao brincar, promove o encontro com o  outro e promove o encontro de si mesmo consigo, do ser atriz/ator em verdade, forjando a nova e fluida e momentânea realidade.

Realidade que amanhã será mudada mesmo que a peça seja a mesma.

1 – Écouter et comprendre la musique – le processus créatif

January 4th, 2010 by COELHO DE MORAES


 

(basé sur les œuvres d’Aaron Copland)

Comment le compositeur fait sa musique?
Un des mystères est la question d’inspiration. Mais le compositeur n’est pas tant sur ce que nous imaginons.
Pour un compositeur, l’écriture est aussi naturel que manger et dormir ou à travailler dans une raffinerie, comme elle le ferait pour un métallo, une banque à une banque, un cabinet comptable pour un comptable, un médecin de phono à un orthophoniste. C’est votre travail. L’inspiration n’est pas une vertu spéciale. Il est plus facile de l’entendre demander: «Ai-je envie d’écrire aujourd’hui?!” N’est pas non plus le traumatisme de l’écran blanc, les deux parlent les artistes. Inspiration/perspiration.
Vous pouvez attendre que l’inspiration, mais vous ne pouvez pas encore debout, si elle ne vient pas. Le travail est assis à la table ou près de votre instrument et de faire quelque chose. Il existe des techniques et des connaissances pour le faire. L’inspiration n’est qu’un sous-produit.
Aujourd’hui, avec plus d’harmonies complexes doivent être proches de leurs outils de travail, presque toujours. À l’époque de Haendel et de Haydn, l’ensemble harmonique était différent et peut-être que vous pourriez faire la promenade à pied à travers champs, en sifflant. Souvent, les étudiant-assistant fait le reste. Stravinski dit que le compositeur ne doit jamais être loin de ses premières saines. Restez près de votre piano. Restez près de votre ordinateur. Leur instrument de choix.
En bref, la méthode ne fait rien, mais le résultat.
Comment le compositeur commence son travail? Où allait-il réussir? – Toute compositeur commence avec une idée musicale. Idée musicale n’est pas une idée littéraire ou philosophique ou extra-musicales. Mais oui, c’est une idée faite de sons.

1) Vous mai arriver que le thème musical entre dans sa mémoire après une association qu’il ne peut pas expliquer. Le compositeur écrit que le thème et le thème de cette pièce il va commencer à composer le reste.

2) Il mai être que la recherche compositeur le folklore de leurs pays et d’extraire les différents thèmes, il ya juxtaposés dans une troisième voie, en changeant sa voix et du rythme. Elle sera, enfin, un nouveau train de sonder la matière.

3) Il mai être que le compositeur a couché sur papier ligné note un certain nombre d’expérience; motifs courts, éléments sonores qui vont commencer le processe de composition.

4) Il mai être que le processe commence avec des rythmes percutants, ces rythmes en suggérant des moyens et en donnant la motivation psychologique pour le compositeur.

5) Parfois, l’idée est un thème littéraire ou le thème d’une publicité télévisée.
Le compositeur peut écrire toutes les idées et faire un fichier d’entre eux. Permettra d’économiser que pour une utilisation ultérieure. Recherche de la signification émotionnelle de son sujet. Vous pouvez tester avec vos amis et obtenez une réponse. Recherche de la qualité émotionnelle du sujet et de savoir pour le changer à mi-chemin.
Rappelez-vous que le «thème» est une succession de notes. Pour cette séquence de notes à prendre effet, nous utilisons le changement dynamique de volume, la vitesse, qui va changer le sens de la succession.
Si le thème est simple, elle peut suggérer de multiples aspects.
Si le sujet est complexe variantes seront plus faibles.
Aucune mention n’est faite dans le thème de la beauté ou la mélodie. La beauté est une valeur culturelle que les changements de nation à nation. De temps en temps. C’est un concept de tribu. Chacun pense être belle et de voir ce qui vous fait plaisir. Mais cette maladie peut être, aussi.

Etats Schoenberg que Belo est tout ce qui est exprimé clairement, sans se cacher, sans confusion, sans rien cacher. Confusion bruit n’existe aucun critère, en plus d’être l’art n’a pas la connotation de la beauté. Ainsi, la phrase: “Je pense que c’est beau! N’a de valeur à l’orateur et non pas simplement une surface de référence. Peut noter qu’il ya eu réception par l’auditeur. Mais seulement.
Après la discussion, et sa capacité de choisir si elle est soumise à sa propre symphonie ou une caméra. Pour une sonate ou un travail en solo. Au rock ou le film soundtracks.
Ce sont toutes des caractéristiques techniques du compositeur.
Et le mot de l’art Grecs tekno moyens de Latinos.

Tekno le mot vient de la technique mot. L’art est d’avoir la technique.

Avoir du talent est de maîtriser la technique. Vous maîtrisez la technique.

Il devrait être étudiée.

Hello world!

October 27th, 2008 by COELHO DE MORAES
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Ouvir e entender música – o processo criador
..
 

(baseado na obra de Aaron Copland )

Como é que o compositor faz a sua música?
Um dos mistérios é o problema da inspiração. Mas o compositor não se preocupa tanto com isso como se imagina.
Para um compositor, compor é tão natural quanto comer e dormir ou trabalhar numa refinaria, como seria para um metalúrgico; num banco para um bancário; num escritório de contabilidade para um contabilista; num consultório de fono para uma fonoaudióloga. É o seu trabalho. A inspiração não é uma virtude especial. É mais fácil ouvi-lo se perguntar: “Será que estou com vontade de compor hoje?!” Nem há o trauma da tela branca, de que tanto falam os artistas plásticos. Não a tal da Ins-Piração.
Você pode esperar pela inspiração, mas, você não pode ficar parado, se ela não vem. O profissional senta-se à mesa ou perto de seu instrumento e compõe alguma coisa. Há técnicas e conhecimento para isso. A inspiração não passa de um sub-produto.
Hoje, com harmonias mais complexas há necessidade de estar junto ao seu instrumento de trabalho, quase sempre. Na época de Hændel ou Haydn o jogo harmônico era diferente e talvez se pudesse compor andando pelas campinas, assoviando. Muitas vezes o aluno-assistente fazia o resto. Stravinsky disse que o compositor nunca deve estar longe de sua matéria sonora. Fique perto de seu piano. Fique perto de seu computador. Do seu instrumento de eleição.
Em suma, o método não importa, mas sim o resultado.
Como é que o compositor dá início ao seu trabalho? Por onde é que ele começa? – Todo compositor começa com uma idéia musical. Idéia musical não é uma idéia literária, ou filosófica ou extra-musical. Mas, sim, é uma idéia feita de sons.

1) Pode ser que aconteça que o tema musical lhe veio à memória depois de uma associação que ele não conseguirá explicar.  O compositor escreve aquele tema e a partir desse fragmento temático ele começará a compor o resto.

2) Pode ser que o compositor pesquise o folclore de sua terra e extraia dali temas variados que ele justaporá em uma terceira via, alterando-lhe os tons, e o ritmo. Dará, enfim, uma nova roupagem ao material sonoro.

3) Pode ser que o compositor deite no papel pautado uma série de notas experienciais; motivos curtos, elementos sonoros que darão início ao processo de composição.

4) Pode ser que o processo se inicie com ritmos percussivos; tais ritmos sugerindo caminhos e dando motivação psicológica para o compositor.

5) Às vezes a idéia é um tema literário ou o tema de uma propaganda de TV.
O compositor pode anotar todas as idéias e fazer um arquivo delas. Vai guardando para uso posterior. Procura o significado emocional de seu tema. Pode testar com os amigos e obter uma resposta. Buscar a qualidade emocional do tema e saber alterá-lo no meio do caminho.
Lembrar que o “tema” é uma sucessão de notas. Para que essa sucessão de notas tenha efeito usamos as dinâmicas, alteração de volume, de velocidade, que mudará o significado da sucessão.
Se o tema é simples ele pode sugerir múltiplos aspectos.
Se o tema é complexo suas variantes serão em menor número.
Não se fala em beleza temática ou melódica. Beleza é valor cultural que muda de povo para povo. De época para época. É um conceito tribal. Cada um acha que é belo aquilo que vê e lhe dá prazer. Mas, isso pode ser doença, também.

Schöemberg declara que Belo é tudo aquilo que é expresso claramente, sem subterfúgios, sem confusões, sem esconder nada. Confusão é barulho sem critério, além de não ser arte não terá conotação com a Beleza. Portanto a frase: “Eu acho lindo!” só tem valor para quem fala e não passa de uma referência superficial. Pode denotar que houve aprovação por quem ouve. Mas, só.
Após a escolha temática e sua qualidade cabe escolher se é tema próprio para sinfonia ou câmera. Para uma sonata ou para um trabalho solista. Para rock ou para trilhas de cinema.
Tudo isso são atributos técnicos do compositor.
E a palavra tekné dos gregos significa arte para os latinos.

Da palavra  tekné nos vem a palavra técnica. Ter arte é ter técnica.

Ter talento é dominar a arte. É dominar a técnica.

Há que se estudar.